Sobre
Sempre gostei de ouvir as pessoas contarem suas histórias.
Passei anos trabalhando com filmes e documentários e talvez tenha sido ali que aprendi a prestar atenção no que não é dito diretamente, no gesto, na pausa, naquilo que muitas vezes fica subentendido.
Foi também ouvindo minha própria história que encontrei a psicanálise, uma escuta que não tenta explicar tudo de uma vez, mas acompanhar o que ainda está se formando.
Talvez por isso goste de pensar no meu trabalho como o de um antropólogo, alguém que chega a um território sem pressa de nomeá-lo, disposto a entender antes de concluir.
É um pouco como no cinema, que muitas vezes não conta a história inteira, deixando um espaço para que cada um complete a narrativa da sua própria maneira.
A psicanálise, pra mim, funciona assim, porque o sentido não vem pronto, ele se constrói aos poucos, entre pessoas.
